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Ela se foi – mas continua sendo amor.

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“Ela se foi, mas eu não posso simplesmente dizer que nada dela ficou. Ficou um bocado de coisa e um sentimento sincero e reciproco pra caralho. Acho que a gente não precisa tá junto pra fazermos bem um ao outro e reconhecer que tudo o que fizemos foi verdadeiro e que está vivo até hoje. A gente não precisa se ver pra se sentir porque apesar dela ter ido, ela estará sempre comigo. A gente não precisa ficar pra saber que partir não significa o fim, pode sim significar eternidade. Eu até acho mais sincero e bonito acabar algo que te fez bem porque não existe mais intenção de continuar, do que ficar em algo que só te faz mal porque você ainda teima em achar que pode dar certo.

Ela se foi, mas o sorriso dela ficou pra me lembrar dos nossos melhores momentos. Ficou também a marca do queixo dela em meus dedos que eu tanto gostava de tocar antes de dormir. Ficou o cabelo mais lindo que eu vi na vida, que às vezes insistia em bater em meu rosto enquanto assistíamos um filme, que às vezes grudava em meu jeans, que às vezes caia sobre seu rosto e me obrigava a afastá-lo só pra ver a dona dos olhos mais veneráveis do universo.  Ela se foi, mas o seu jeito de olhar pra mim ficou. Ficou também a destreza que ela tinha ao me acordar, a calmaria que ela trouxe pra minha vida corrida, a delicadeza em aceitar os meus erros e a graça em reconhecer os meus acertos. Ela se foi, mas ficou a sua mania de usar meias nos dias frios, de levantar da cama só após às 11 do domingo, de me puxar pra mais perto quando eu não percebesse o palmo de distância que crescia entre nós.

Ela se foi, mas o jeito como ela olhava o mundo ficou, o quanto ela me ensinou e o tanto que ela acrescentou na minha vida também. Ficaram todas as suas marcas e passagens, ficou o sinal do pescoço, a leve mordida no final do beijo, a sensibilidade de sono que ela tinha ao me deixar acariciar suas orelhas e nuca. Ela se foi, mas me deixou a vontade de amar alguém sem me conter, sem me limitar ou ter medo de me entregar. Ela se foi, mas deixou as melhores lembranças. Deixou a liberdade de visitá-la em minhas memórias antes de dormir e dizer com o peito cheio de certezas de que valeu a pena, sim! Ela se foi, mas partiu em paz, me deixou capaz de ser pra qualquer pessoa o que nunca tive medo de ser pra ela. Ela se foi e o espaço vazio que ficou em mim foi preenchido com tudo o que ela foi em meu mundo, porque ela conseguiu ser e fazer tanta coisa por nós, foram tantos significados que ela me deixou pra gente que não tem como, nem em sonho, ter um mundo vazio mesmo não tendo mais ela comigo. Não tem como chorar depois dela ter passado por aqui. Quando me lembro, é só riso. Eu ainda sinto que sou dela, e talvez pra sempre serei.

Ela se foi e foi amor, continua sendo amor e talvez continuará sendo amor até o infinito, porque apesar de não estarmos mais juntos e não podermos mais entrelaçar nossas mãos e andar por aí sem pressa de voltar, não existe fim pra isso. Apesar de tecnicamente ter tido um fim entre a gente, sentimentalmente o coração da gente diz que esse fim nunca chegará. Ela se foi e o eterno permanecerá, intacto, porque a fidelidade compreende com maturidade que não vamos mais juntar nossas escovas de dentes mas os nossos corações, esses estarão assumidamente juntos. Ela se foi, mas a intensidade do que sentimos e vivemos sem receio petrificou em nossas memórias o que já virou passado como se continuasse a ser presente, como se permanecesse intocável a fazer todo sentido em um futuro que não mais nos terá, mas ainda assim, nos pertencerá. Ela se foi, foi aquele amor que passou por mim, mas que não precisou ficar pra que eu percebesse. E não importa o tempo que passe, quando é de verdade, a gente sente.

Ela se foi mas ficou o jeito largado que ela deitava em meu colo e a ternura de um beijo na testa. Ela se foi e não foi arrependimento algum, eu sigo tranquilo por ter feito tudo exatamente do jeito que quis, por ter sido pra ela exatamente o que eu era, sem idealizações, expectativas e suposições. Ela se foi mas não desistiu de mim, eu não desisti dela e a gente não se desistiu, porque o nosso amor não morreu, muito pelo contrário ele ainda sobrevive e não é nada difícil de entender, se você enxergar que a gente se tem e se carrega mesmo não se vendo frente a frente, você vai entender que amor é aquilo que a gente sente, aquilo que permanece e não importa se faça chuva ou faça sol, ele nunca vai passar. Porque o amor não passa, ele fica, ele cria raízes na gente.”

Iandê Albuquerque

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